chamados a nascer do alto

Março 23, 2012 § Deixe um comentário

A verdade é que não somos capazes de conceber alguma coisa como de nós mesmos. Por isso, desde o princípio, o Pai entregou-nos uns aos outros.

Precisamos da voz do Outro para ver.
É precisa a nossa voz para que o Outro veja.

Precisamos do silêncio do Outro para escutar.
É preciso o nosso silêncio para que o Outro seja escutado.

Precisamos da mão do Outro para arrancar aquilo a que prendemos as nossas mãos, abrindo-as e libertando-as para o Dom.
É preciso que a nossa mão toque as mãos do Outro, desprendendo amarras e libertando-as para acolher.

Precisamos sempre de Pessoas com rosto, voz, endereço.
É preciso perder o medo de dizer o nome, contar a história, porque o anonimato e a neutralidade matam.

Precisamos do alimento da Paz, da Justiça e da Alegria que se partilha à volta da Mesa, onde o Amor vê-se, toca-se, dá Vida.
Precisamos de assentar, escutar palavras que falem de uma Aliança da qual se tenta fugir até percebermos que já fomos alcançados e estamos enleados uns nos outros.

E foi assim que me sentei a ruminar, diante de um campo de couves em flor, numa quinta algures em Gaia.
As palavras que transcrevo de seguida são de Calmeiro Matias cssr (Fundamentos da Fé Cristã).

Renascer é Humanizar-se

Nascemos inacabados. Eis a razão pela qual levamos connosco uma fome imensa de plenitude. São João diz que o nosso ser interior, por ser espiritual, não nasce dos impulsos da carne, mas da ternura do Espírito Santo (Jo 3, 3-6). São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações.

Nascemos para entrar na dinâmica da humanização cuja lei é: “Emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal da Família de Deus. A emergência pessoal acontece como fortalecimento espiritual e capacidade de interacção amorosa.

O Homem surgiu na História como fruto de uma marcha evolutiva. Utilizando a imagem bíblica do barro, diríamos que a evolução é o processo do barro a ser moldado, a fim de surgir Adão. No interior deste barro emerge o interior espiritual da pessoa como o pintainho emerge dentro do ovo.

A plenitude da vida espiritual acontecerá no dia em que o ovo eclodir, a fim de o pintainho nascer para a Comunhão Universal. Estamos a emergir, pois somos seres em construção. À medida que emergimos, vamos convergindo para a Família de Deus.

Nascemos Talhados Para Deus

Deus é amor, diz a bíblia (1 Jo 4, 7). Isto significa que fomos criados pelo amor e para o amor. São João diz que as pessoas que não amam não conhecem a Deus, pois Deus é amor (Jo 4, 16). O nosso ser espiritual cresce e robustece-se em relações de amor. Renascer significa emergir como vida pessoal livre, consciente, responsável e capaz de amar.

É a este nível que o Homem é realmente imagem de Deus. Na verdade, a Divindade é pessoas e a Humanidade também. A plenitude da pessoa não está em si, mas na comunhão. Apenas na reciprocidade amorosa a pessoa encontra a sua plena identidade. Por outras palavras, fechada em si, a pessoa está em estado de malogro: não se encontra nem se possui plenamente.

Pelo facto de serem pessoas, os seres humanos são proporcionais a Deus. O divino pode interagir com o humano em comunhão humano-divina. E foi por esta razão que Deus, comunhão familiar de três pessoas, decidiu incorporar-nos a própria Família Divina. Isto quer dizer que o divino se enxertou no humano para que este seja divinizado. Na verdade, graças a Jesus Cristo, já fazemos uma união orgânica com a comunhão familiar da Santíssima Trindade.

Somos Seres com Identidade Histórica

Só podemos acontecer como pessoas na medida em que renascemos. Os seres humanos são o resultado de uma realização histórica. Para se dizer, a pessoa tem de contar uma história, pois a sua identidade é histórica. Na verdade, a pessoa humana será eternamente segundo o modo como se realizou na história.

Na Festa do Reino de Deus, todos dançaremos o ritmo do amor, mas cada qual com o jeito que treinou enquanto esteve na História. A nossa identidade física é o nosso ADN. A nossa identidade espiritual é o jeito que temos de nos relacionar e amar. Por outras palavras, o nosso ser espiritual mede-se pela nossa capacidade de amar e comungar.

Isto quer dizer que a pessoa humana não vale pelo que tem, mas sim pelo que é. A natureza humana realiza-se de modo único, original e irrepetível em cada pessoa. Isto significa que ninguém está a mais na festa da Comunhão Universal.

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