posta-restante

Julho 13, 2012 § 1 Comentário

 

Yeshu

Deixo aqui esta posta-restante, sem saber se será levantada. A nós, pouco nos interessam as respostas rápidas.

Escrevo-te muitas horas depois de ler o teu “recado”, no blog aqui ao lado. Foi preciso algum tempo para assentar a poeira que levantaste, livrar-me dela. As primeiras reacções são as mais sinceras e, por isso, só podem ser entendidas por quem nos conhece para além delas. Diante de ti, não tenho medo.

Só tu para chamares “recado” a esta declaração… Sinceramente, o que se poderia esperar de ti? Pedes água e ofereces a nascente, partes o pão e dás a Vida… mandas recados destes e acabas a declarar-te e a comprometer-te.
Não quero prender-me às palavras. Agradeço-te, quase todos os dias, o facto de não teres deixado palavras escritas. As palavras que melhor te dizem não estão escritas sequer nos textos das boas notícias que se compilaram em livros. Se quero saber de ti, olho para a vida dos outros, para os gestos, para as escolhas, para as intenções caladas. Estes são os teus “recados” mais eloquentes, principalmente os que mais desacomodam e contrariam o que julgo conhecer.

Já escrevi tanto e ainda não disse o que mais me custa. Se isto é mesmo uma relação, se me convidas a viver contigo, então eu também te lanço um convite. Sabes o que isto significa para mim, porque a única hospitalidade que me interessa é a da liberdade do convidado, que abre espaço para. Só assim se faz a amizade, a intimidade. Por isso, eu também gostava muito de libertar-te daquilo que se espera de ti há muito mais de 2000 anos. Há palavras que se escrevem e que se põem na tua boca que são metáforas e linguagens conhecidas há milénios. É sempre a mesma história, o mesmo “paleio” e perde-se o Novo. Desculpa, mas parece que andamos a por remendo novo em pano velho. Eu liberto-te disso e confio que, contigo, libertar-me-ei também. Pelo menos comigo, gostava que estivesses à vontade.

Dizes-te meu IRMÃO. Não te peço nada mais, não sonho nada mais. Aliás, nem suportaria outra relação. Isto é o novo, a novidade trazida por ti e que tantas vezes é abafada por metáforas que mais parecem línguas estranhas.

E agora despeço-me como faço com o meu irmão que tanto amo (aquele que raramente diz o teu nome, aquele que me deste e que seria sempre meu irmão, mesmo que não houvesse laços de sangue entre nós). Despeço-me num abraço. (é que quem só estende o braço sobre o ombro, arrisca a entrar numa dança triste: um passo para trás, outro passo para o lado, um sorriso na cara e não há nada para ninguém…)

Despeço-me e nem me apetece assinar o meu nome, porque na recta final do caminho com Marcos, deixei-me encantar pelas mulheres sem nome que subiram contigo para Jerusálem. Naquele momento, em que aparecem tantos nomes próprios e tantos determinativos, estão ali aquelas e aqueles contigo, que ninguém sabe de onde vêm, nem “de quem” são… São como o vento do teu Espírito, o único capaz de nos fazer irmãos a cada dia.

Um abraço com todo o meu carinho

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§ One Response to posta-restante

  • figlo diz:

    Não resisti…talvez porque este Yeshu a quem te diriges, também me seduz(iu) a mim. Não pelo muito que diz mas pelo MUITO que os seus gestos dizem dEle e do Pai e de quem somos para Ele…mesmo que a nossa vida de discípulos não seja lá grande coisa…É um PRESENTE e tanto! Só nos cabe agradecer sendo presença sua e aceitando os desafios de cada amanhecer…Obrigada Eneida. Está na forja o “Marcos escrito por nós” neste ano 2011/2012. Queria, mas queria mesmo! aprender a ousadia de “segui-LO de perto”…Um abraço! Glória.

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