«donde me conheces?»

Agosto 30, 2012 § Deixe um comentário

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Que nome se dá à familiaridade que nasce entre estranhos?
É um mistério aquilo que move alguém a partilhar a história com uma pessoa que conhece de vista, de poucas palavras.
Acontece-me com alguma frequência, mas espanto-me sempre, por me ser dado que alguém venha ter comigo e conte o que leva por dentro.
Quando duas pessoas se cruzam no caminho e uma delas tem a coragem de ultrapassar a fronteira de segurança do nosso mundo interior, que é guardada pelas conversas de circunstância, há motivos para a esperança nas relações de pura graça.
Sem expectativas.
Sem necessidade de resposta.
Sem procurar aprovação.
Sem justificações.
Sem omissões, porque se houver algo a fazer ou um compromisso a assumir, tudo será feito com a espontaneidade de quem dá aquilo que também recebeu de graça.

Admiro quem é capaz de abrir as janelas.
A confiança é um mistério.

Contam-se histórias para perceber que a vida que nos acontece é pessoal e, ao mesmo tempo, comum à dos outros, porque ninguém tem o monopólio da alegria, da dor, da sensibilidade.
As palavras servem para afastar a sensação de estranheza entre nós, até descobrirmos que ninguém nos é estranho.

Mas, o silêncio é a linguagem da proximidade, da comunhão.
Quando há intimidade, a história conta-se num olhar e em presença. É no silêncio que acontecem as confissões verdadeiras, quando nos deixamos surpreender por um olhar que nos alcança, atrás de uma janela ou debaixo de uma figueira.

o silêncio é um privilégio.

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