“só a bondade é digna de fé”

Setembro 16, 2012 § Deixe um comentário

No momento em que é perigoso ser ingénuo e é impossível continuar acomodado, li estas palavras de José Maria Castillo.
Incomodam-me muito e ainda bem.

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“A ver se, de uma vez, metemos na cabeça que esta embrulhada assombrosa de problemas não se resolve mudando as normas ou substituindo uns governantes por outros. É evidente que essas mudanças, se fossem feitas acertadamente, poderiam melhorar algumas coisas.
Mas que fique claro que, na solução de fundo, o decisivo não é a mudança das normas ou de quem gere o cumprimento dessas normas. O verdadeiramente decisivo é a mudança das pessoas. Enquanto não mudarmos a nossa mentalidade, as nossas convicções, a nossa forma de ver e de valorizar a vida e, sobretudo, a atitude que cada um adopta em relação aos demais, podemos estar seguros de que nem isto muda, nem saímos da crise, nem temos solução.
Compreendo que algumas pessoas, ao ler o que estou a dizer, vão pensar que isto não passa da conhecida solução do “buenismo”, da bondade ingénua, que não passa disso, uma ingenuidade bem-intencionada, que não leva a parte alguma. E é verdade – e já o disse – que necessitamos de leis justas e de governantes capazes de pô-las em prática e fazê-las executar. Todos sabemos isso.
Mas aquilo que ainda não aceitamos é que o problema está no coração de cada um de nós. Quando escrevo isto (a 13 de Setembro de 2012), li e pensei durante algum tempo no texto capital do evangelho de Lucas (6,27-38), que é o sermão da planície, o equivalente ao sermão da montanha no evangelho de Mateus (5-7).”

«Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam. A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica. Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames. O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também.
Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»
«Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.» Lucas, 6, 27-38

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