o tempo das cigarras

Setembro 1, 2013 § Deixe um comentário

“Não parece Agosto!”
Foi a frase mais repetida.
Agosto tornou-se o mês de todas as romarias na minha aldeia. Gente do centro e das periferias levanta-se, de manhã cedo, em peregrinação às capelinhas da segurança social, do act…
Espera-se que a porta abra para tirar uma senha. Depois, é preciso esperar mais. Há quem prefira fazer tempo no café mais próximo. A maior parte toma o seu lugar, sentado ou encostado a uma parede.
Ninguém está sozinho. Aqueles que não têm ao lado um amigo, um familiar ou a criança do vizinho para garantir um atendimento prioritário, trazem muitas pessoas nos pensamentos, nas perguntas sem resposta.
A melodia de fundo conta uma só história… Quando se fala do que aconteceu, só mudam os nomes e as circunstâncias, porque as causas que os trouxeram até ali são as mesmas.
Levanto os olhos do Dinossauro Excelentíssimo e vejo, diante de mim, o retrato das palavras de José Cardoso Pires.

[Nos momentos de desconcerto, acontece-me ir até à prateleira e enfiar-me pela história do Corvo Vicente e sigo… Não sei explicar. Faz-me companhia há muitos anos. Não sei o que me deu para andar a ler fábulas desde Junho.]

Agora é o momento em que as formigas deixarão a vida de cigarra, para abraçarem o trabalho, com espírito empreendedor e flexível, de preferência. A partir de hoje, torna-se mais evidente a diferença.
O Verão vai passar, mas vai continuar a ouvir-se o ruído das cigarras.
Não peçam às cigarras para se calarem, porque são elas que estão a entoar os mais inspiradores cantos de resistência e de superação. 

Eu te bendigo, oh Pai, Senhor do céu e da terra, Senhor de todas as nossas horas!
Só Tu, que trabalhas sempre, sabes o que significa a desocupação, a privação do trabalho… tão diferente do descanso!
Por ser igual a Ti, o Teu Filho, viu os jornaleiros a fazerem tempo nas praças, à espera de serem chamados (Mt 20, 1-16). O Teu Filho viu e vê os precários, os mal-pagos, os desvinculados, os “independentes”, aqueles cujo posto de trabalho foi extinto e… foram extintos com ele e viram o nome picado na pedra.
Tu vês. Tu vês os dispensados, os considerados imprestáveis, os que deixaram de esperar e de acreditar em qualquer convite… Tu não deixas que se percam nesta mentira. Na hora do naufrágio e da obscuridade, és Tu Quem resgatará!
Tu chamas para o serviço, mesmo que já passe das quatro da tarde.
Ninguém está a mais no Teu Reino.
Só Tu és Bom. Só Tu és Bom. O Senhor que tomou partido dos escravos, vê e chama os que sofrem a opressão da ausência ou da precariedade do trabalho.
Só Tu és Bom!

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